PRESIDENCIAIS... AINDA


D. SEBASTIÃO
Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

Fernando Pessoa, in Mensagem

PRESIDENCIAIS

(pode parecer despropositado, mas não é... na nossa perspectiva esta é uma altura excelente para recordar estas duas grandes figuras da cultura portuguesa... assim, aqui vai...)
José Gomes Ferreira / Fernando Lopes Graça
Acordai
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
Letra:
José Gomes Ferreira
Música: Fernando Lopes Graça

PELO PRAZER DE CONHECER

Depois desta ausência voltamos ao convívio... e começamos da melhor maneira, divulgando aqui uma página de grande interesse.

Ela pertence ao Grupo de Estudos do Megalitismo Alentejano – GEMA que ali reúne e disponibiliza informação variada sobre monumentos e sítios, conhecidos ou em estudo.

O destaque actual recai em “Solstício de Inverno”, nos Almendres, por Francisco Bilou, mas em www.crookscape.org há muito mais para ver, descobrir e conhecer.

Afinal, o saber não só não ocupa lugar, como pode ser uma preciosa fonte de prazer.

MESMO A PROPÓSITO


"Era de manhã e o novo sol cintilava nas rugas de um mar calmo.

A dois quilómetros da costa, um barco de pesca acariciava a água. Subitamente, os gritos do Bando da Alimentação relampejaram no ar e despertaram um bando de mil gaivotas, que se lançou precipitadamente na luta pelos pedacinhos de comida.

Amanhecia um novo dia de trabalho.

Mas lá ao fundo, sozinho, longe do barco e da costa, Fernão Capelo Gaivota treinava. A trinta metros da superfície azul brilhante, baixou os seus pés com membranas, levantou o bico e tentou a todo custo manter as suas asas numa dolorosa curva. A curva fazia com que voasse devagar, e então a sua velocidade diminuiu até que o vento não fosse mais que um ligeiro sopro, e o oceano como que tivesse parado, abaixo dele. Cerrou os olhos para se concentrar melhor, susteve a respiração e forçou ... só ... mais ... um ... centímetro ... de ... curva ... Mas as penas levantaram-se em turbilhão, atrapalhou-se e caiu.

Como se sabe, as gaivotas nunca se atrapalham, nunca caem. Atrapalhar-se no ar é para elas desgraça e desonra.

Mas Fernão Capelo Gaivota - sem se envergonhar, abrindo outra vez as asas naquela trémula e difícil curva, parando, parando ... e atrapalhando-se outra vez! - não era um pássaro vulgar.

A maior parte das gaivotas não se preocupa em aprender mais do que os simples factos do voo - como ir da costa à comida e voltar. Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para esta gaivota, contudo, o importante não era comer, mas voar. Antes de tudo o mais, Fernão Capelo Gaivota adorava voar..."


Introdução à primeira parte do livro "Fernão Capelo Gaivota", de Richard Bach

CaNtO dOs PoEtAs - Eugénio de Andrade

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade


As palavras que te envio são interditas

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

Eugénio de Andrade


As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

MARTE APROXIMA-SE

Olhe para Este durante estas noites e verá uma grande e amarelo-avermelhada "estrela" brilhando muito mais que qualquer outra. É o planeta Marte, e está passando bem perto da Terra durante os finais de Outubro e princípios de Novembro.
Qualquer pessoa pode observá-lo – não interessa se sabe muito ou pouco acerca das estrelas ou quão poluído pela luz está o seu céu.

Procure Marte brilhando bem baixo a Este depois das 20:00. Em Novembro, poderá vê-lo no lusco-fusco, por volta das 18:00. Mais tarde, Marte sobe no céu para uma posição de observação bem mais confortável e desloca-se para Sudeste. Não existe nada no céu tão brilhante como Marte, por isso não poderá haver qualquer confusão.

Marte fará a sua maior aproximação da Terra na noite de 29-30 de Outubro, passando a 69.4 milhões de quilómetros do nosso planeta por volta das 04:00 (hora de Lisboa) do dia 30...


Fonte: Centro Ciência Viva do Algarve


Sabemos, porque Steele o afirmou, que a leitura é para o espírito o que a ginástica é para o corpo.
Sabemo-lo e cultivamo-lo, mas as horas do dia têm sido poucas para darmos o nosso contributo a esta página.
Mas, como fomos advertidos sobre a nossa prolongada ausência, aqui deixamos a promessa de que breve, muito breve, voltaremos com mais temas para reflectir e debater entre os nossos pares. Isto para não falar do nosso albúm fotográfico FOTOCANTO também ele a precisar de atenção.