Ainda o universo

Por estas bandas ainda não demos por encerrado o ciclo dedicado às maravilhas do Universo e porque esta é uma matéria que nos atrai trazemos mais dois registos que nos tocaram os sentidos.

Nebulosa IC 1396

Crédito: Russell Croman

Russell Croman obteve esta espectacular imagem do complexo IC 1396 a partir do seu observatório no Texas, Estados unidos da América (http://www.rc-astro.com/ ). Nela são visíveis o aglomerado de estrelas e a respectiva nebulosidade envolvente, sendo de particular destaque a nebulosa "Tromba de Elefante", visível na parte central, em baixo. Esta nebulosa é um glóbulo escuro de gás e poeira que se encontra em processo de erosão devido à radiação emitida pelas estrelas envolventes. Muitos outros glóbulos são visíveis na imagem, aparecendo como manchas escuras contra o fundo brilhante. Para a obtenção desta imagem foram usados filtros para captar a luz proveniente de enxofre, hidrogénio e oxigénio.

Muito mais em http://www.portaldoastronomo.org/

Nebulosa Cabeça de Cavalo (B 33)

Crédito: Russell Croman

A nebulosa Cabeça do Cavalo (B 33) é um dos objectos celestes mais conhecidos. Localizada na mesma região que a famosa nebulosa de Orionte, esta nebulosa deve a sua notoriedade à sua forma peculiar. Trata-se de uma nuvem de gás e poeira vista em constraste contra o fundo brilhante de uma nebulosa de emissão que se encontra por detrás dela. A estrela brilhante visível no canto inferior esquerdo faz parte da conhecida Cintura de Orionte. Esta estrela ilumina e excita o gás da nebulosa de reflexão azulada (NGC 2023) que a envolve. A imagem de hoje foi obtida pelo astro-fotógrafo Russell Croman (http://www.rc-astro.com/ ).
Mais para descobir em http://www.portaldoastronomo.org/

Regresso às lides

Calhou bem este afastamento...
Mas, agora voltámos às lides, de momento, não com a poesia dos poetas, mas antes com as maravilhas do Universo...
As primeiras duas, deslumbrantes, umas linhas acima.

PRESIDENCIAIS... ENFIM... DESILUSÃO

Para além do Universo luminoso
Cheio de formas, de rumor, de lida,
De forças, de desejos e de vida,
Abre-se como um vácuo tenebroso.
A onda desse mar tumultuoso
Vem ali expirar, esmaecida...
Numa imobilidade indefinida
Termina aí o ser, inerte, ocioso...
E quando o pensamento, assim absorto,
Emerge a custo desse mundo morto
E torna a olhar as coisas naturais,
A bela luz da vida, ampla, infinita,
Só vê com tédio, em tudo quanto fita,
A ilusão e o vazio universais.

“Nirvana”; soneto de Antero de Quental

CaNtO dOs PoEtAs - Alexandre O'Neill


Auto-retrato

O'Neill (Alexandre), moreno português,
cabelo asa de corvo; da angústia da cara,
nariguete que sobrepuja de través
a ferida desdenhosa e não cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito é o que vês
(omita-se o olho triste e a testa iluminada)
o retrato moral também tem os seus quês
(aqui, uma pequena frase censurada...)
No amor? No amor crê (ou não fosse ele O'Neill!)
e tem a veleidade de o saber fazer
(pois amor não há feito) das maneiras mil
que são a semovente estátua do prazer.
Mas sobre a ternura, bebe de mais e ri-se
do que neste soneto sobre si mesmo disse...

Amigo

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Mesa dos sonhos

Ao lado do homem vou crescendo

Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente

Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas

Ao lado do homem vou crescendo

E defendo-me da morte povoando
de novos sonhos a vida.

PRESIDENCIAIS... DE NOVO


Liberdade querida e suspirada

Liberdade querida e suspirada,
Que o Despotismo acérrimo condena;
Liberdade, a meus olhos mais serena,
Que o sereno clarão da madrugada!

Atende à minha voz, que geme e brada
Por ver-te, por gozar-te a face amena;
Liberdade gentil, desterra a pena
Em que esta alma infeliz jaz sepultada;

Vem, oh deusa imortal, vem, maravilha,
Vem, oh consolação da humanidade,
Cujo semblante mais que os astros brilha;

Vem, solta-me o grilhão da adversidade;
Dos céus descende, pois dos Céus és filha,
Mãe dos prazeres, doce Liberdade!

Barbosa du Bocage