Contaminação com transgénicos em Espanha

Um aviso para Portugal e um exemplo a não seguir

A generalização do cultivo de plantas geneticamente modificadas (OGM) em Espanha está a causar contaminação generalizada das culturas não transgénicas, colocando em risco tanto os agricultores convencionais como os biológicos, além de pôr em causa o direito à escolha dos consumidores. Isto mesmo é revelado no relatório "Coexistência Impossível", publicado pela Greenpeace no arranque da conferência da Comissão Europeia sobre coexistência entre culturas transgénicas e não transgénicas, realizado em Viena.

"Coexistência Impossível" baseou-se em investigação pormenorizada, incluindo testes laboratoriais de amostras recolhidas nos campos de milho de 40 produtores biológicos e convencionais de Aragão e da Catalunha.

Os resultados falam por si:
- Detectou-se a presença indesejada de milho transgénico em quase um quarto de todos os casos estudados.
- Alguma dessa contaminação atingiu valores extraordinários (12,6%).
- Em vários casos a contaminação causou prejuízo económico, visto que a produção contaminada não pode ser vendida como biológica e está sujeita a rotulagem
- Três dos casos envolveram variedades regionais de milho, que tinham sido seleccionadas ao longo de décadas. A contaminação implica a perca destas sementes e uma ameaça à pouca biodiversidade agrícola que ainda resta.

Margarida Silva, coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora do Prato e vice-presidente da Quercus, comentou: "A Espanha é o único país europeu a cultivar transgénicos em larga escala, e a poluição genética que se instalou é uma antecipação do que está para acontecer em Portugal caso os OGM ganhem dimensão no nosso país. O aviso soou: apesar de todas as garantias das autoridades espanholas e das empresas da engenharia genética, a realidade mostra que a tecnologia é incontrolável e nenhum agricultor está a salvo. O governo tem de ser chamado a explicar se é isto que quer para a agricultura portuguesa."

Niels Rump, agricultor biológico radicado no Algarve há 17 anos e dirigente da Salva, Associação de Produtores em Agricultura Biológica do Sul, acrescentou: "Tal como o ruído e o silêncio não conseguem coexistir, também a agricultura transgénica inevitavelmente exclui todas as outras formas de produção. A coexistência não passa de uma miragem, de uma manobra que permite a algumas empresas apropriarem-se do património genético que pertencia a toda a humanidade... e tudo isto para aumentarem os seus lucros de curto prazo. Mas a sustentabilidade da terra é o capital de que os nossos filhos e netos vão ter de viver, e não está à venda."

Alguns dados adicionais:
- Em 2005 a Comissão Europeia autorizou o cultivo de 31 variedades de milho transgénico em toda a União Europeia. Em Portugal cultivaram-se cerca de 760 ha, em Espanha próximo de 100 mil ha.
- Portugal é o maior importador de milho espanhol (66 mil toneladas em 2005, contra 15 mil toneladas do Reino Unido, que está em segundo lugar).
- O poder local português dá sinais de que não pretende pactuar com o cultivo de transgénicos: 12 municípios (Mora, Aljezur, Cadaval, Ponte da Barca, Moura, Coimbra, Odemira, Sintra, Alenquer, Arouca, Soure e Moita) e uma região (Algarve) aprovaram já declarações de Zonas Livres de Transgénicos.

O relatório referido está disponível por pedido através do endereço info@stopogm.net – da Plataforma Transgénicos Fora do Prato - http://www.stopogm.net/

Mais informação a não perder no site da
Quercus - http://quercus.sensocomum.pt/pages/

Quercus dá 15 razões para NÃO se optar pela energia nuclear em Portugal

Na perspectiva da associação ambientalista portuguesa Quercus, a energia nuclear não tem sentido no contexto nacional.
Essa é, pelo menos, uma das conclusões que se extrai do documento onde apresentam de forma sucinta e compreensível as 15 razões que inviabilizam o uso da energia nuclear, num contexto que se quer de “desenvolvimento sustentável e a bem da economia portuguesa”.
Quinze razões que todos devemos conhecer, para melhor reflectir e que aqui calha agora reproduzirmos…
1. Portugal tem uma enorme oportunidade na conservação de energia e eficiência energética
As previsões de aumento em 350% do consumo de electricidade entre 1990 e 2020 são um erro tremendo em relação àquilo que está a ser desenvolvido em diversos países Europeus, onde a intensidade energética (energia consumida por produto interno bruto) tem vindo a diminuir e o consumo per capita estabilizou. No entender da Quercus, existem várias centrais térmicas, nomeadamente um eventual caso de uma central nuclear, que não se justificam pelo enorme potencial da eficiência energética e conservação de energia, nomeadamente nos sectores residencial e serviços. O consumo de electricidade em Portugal tem vindo a aumentar na ordem dos 6% ao ano, não sendo já argumento o nosso baixo grau de desenvolvimento. Temos estado a crescer mal e com muitos desperdícios. A correcção deste caminho permite perfeitamente melhorar a qualidade de vida com menor consumo de energia e menor poluição, desde a electricidade à dependência do petróleo em sectores como os transportes. Um Kw/h poupado, de acordo com a Entidade Reguladora do Sector Energético, é dez vezes mais barato que um Kw/h a ser produzido, inclusive por energias renováveis.

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2. O potencial de implementação das energias renováveis em Portugal é enorme
As energias renováveis têm um enorme potencial em termos de expansão no nosso país, em particular a energia eólica, biomassa e solar, sendo que a hídrica já apresenta níveis de exploração bastante consideráveis. Quer pela produção directa de electricidade, quer pela produção de calor, Portugal felizmente apresenta condições climáticas e de uso do território que permitem a sua afirmação em termos tecnológicos e em consonância com metas estabelecidas na União Europeia que, para 2010, e para Portugal, será de 39% de energias renováveis na produção de electricidade, mas com percentagens crescentes para os anos seguintes.

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3. A energia nuclear serve para produzir electricidade e esta representa apenas cerca de 20% do consumo de energia final do país
Uma central térmica recorrendo a combustível nuclear apenas consegue produzir electricidade. A dependência de Portugal face aos combustíveis fósseis, nomeadamente em relação ao petróleo, está directamente relacionada com outros usos da energia em sectores como os transportes e a indústria. A instalação de uma central nuclear não resolve assim os problemas energéticos estruturais de Portugal, que passam muito mais por medidas integradas associadas ao ordenamento do território e às actividades produtivas do país.

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4. A energia nuclear é muito mais cara
A produção de energia nuclear é das mais dispendiosas, contrariamente ao que é habitualmente comunicado aos cidadãos. O contemplar dos custos de construção e de desmantelamento face ao período de vida da central, faz com que apenas o solar fotovoltaico apresente valores mais elevados, valores estes que no entanto tendem a reduzir-se por efeitos de economia de escala face à sua cada vez maior expressão.
Fonte de Energia: Custos por kilowatt-hora
Eficiência energética: 0-5 cêntimos
Hidroeléctrica: 2-8 cêntimos
Carvão: 5-6 cêntimosVento: 5-8 cêntimos
Petróleo: 6-8 cêntimos
Solar térmica: 9 cêntimos
Nuclear: 10-12 cêntimos
Solar fotovoltaico: 15-20 cêntimos

Fonte - http://www.net.org/proactive/newsroom/release.vtml?id=18534

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5. A falácia da produção limpa em termos de emissões de gases de efeito de estufa
Contrariamente ao que se anuncia, a produção de energia através de centrais nucleares não é isenta em termos de emissões de gases de efeito de estufa responsáveis pelas alterações climáticas. A sua construção é uma importante fonte de emissões, mas principalmente a exploração do urânio e também o transporte dos resíduos para processamento ou armazenagem, acabam por contribuir significativamente. Os níveis calculados de emissão em termos de ciclo de vida colocam uma central nuclear numa situação pior que uma central a gás natural.

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6. Segurança de abastecimento comprometida - Potencialidade de descentralização oferecida pelas energias renováveis é contrariada por uma central nuclear
A segurança de abastecimento é um dos aspectos mais relevantes no sentido de evitar problemas como os blackouts que sucederam na costa Oeste dos Estados Unidos em 2000/2001 ou no Brasil, ou ameaças externas como o bloqueio e o fornecimento de determinados tipos de combustível (como sucedeu recentemente nos problemas entre a Rússia e a Ucrânia). Neste quadro, tem sido defendida uma cada vez maior descentralização da produção que, no limite, será baseada em energias renováveis associadas às próprias residências e serviços, até porque desta forma existem menos perdas no transporte. Neste sentido, uma forma de produção centralizada com uma enorme potência instalada contradiz objectivos de longo prazo que têm vindo a ser reforçados à escala europeia e num quadro de maior sustentabilidade da gestão da produção e consumo de electricidade.

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7. A energia nuclear só é viável à custa de enormes subsídios governamentais – Portugal apoia muito mais investigação no nuclear que na conservação de energia e renováveis
A produção de energia nuclear continua a beneficiar de fortes subsídios públicos ao abrigo do Tratado Euratom. Ao longo dos últimos 30 anos, a tecnologia nuclear foi brindada com cerca de 60 biliões de Euros para investigação, um valor muito superior ao atribuído a qualquer outra fonte de energia. Por outro lado, a industria nuclear continua a reclamar subsídios para a gestão dos resíduos radioactivos produzidos pelas centrais.Portugal também não faz os investimentos certos em investigação e desenvolvimento na área de energia: o nuclear recebe 110 vezes mais do que a conservação de energia e 7 vezes mais do que as renováveis. De acordo com a Agência Internacional de Energia, Portugal destinou, em 2004, 2,2 milhões de euros para investigação na fusão nuclear enquanto que apenas dedicou 0,32 milhões de euros para energias renováveis e 0,02 milhões para a conservação de energia e apenas no sector industrial. Em causa está a fraquíssima prioridade dada à conservação de energia e eficiência energética e também às energias renováveis.

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8. Portugal ficará dependente de tecnologia importada e cara; é mais uma dependência, neste caso perigosa, de outros países
Não existe experiência em Portugal de construção ou manutenção de centrais nucleares, uma vez que essa nunca foi uma opção, mesmo quando outros países enveredaram por essa forma de produzir energia. Neste contexto, as mais importantes valias económicas do projecto serão para os países e empresas dos mesmos que têm experiência nestas tecnologias e não para Portugal. Ter uma central nuclear com tecnologia importada que ainda por cima se anuncia como experimental, é um risco demasiado elevado a correr.

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9. Cenários oficiais mostram que a Europa não aposta no nuclear e Portugal iria estar em contra-ciclo
Na Europa estão apenas em construção duas centrais: a central de Olkiluoto-3 na Finlândia, cujas condições de financiamento passam por uma subsidiação indirecta pela taxa de juro muito abaixo do mercado, providenciada por instituições francesas e alemãs e que não se deverá vir a repetir, nomeadamente face às novas directrizes de transparência no financiamento do mercado energético na União Europeia, e a central de Cernavoda na Roménia, cuja construção se iniciou ainda no regime comunista, foi suspensa e recomeçada alguns anos depois. O cenário oficial da União Europeia em termos energéticos (modelo PRIMES) de Novembro de 2005 apresenta uma redução da produção de electricidade por centrais nucleares 0,8% ao ano entre 2010 e 2030.

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10. Longevidade dos resíduos e herança para as gerações futuras
A longevidade dos resíduos nucleares estima-se em dezenas a centenas de milhares de anos. Será justo delegar nas gerações futuras a resolução de um problema que, nos cerca de cinquenta anos de existência da indústria nuclear, ainda não conheceu qualquer evolução no sentido de poderem ser tratados sem impactos para as gerações presentes e futuras? Ainda na passada semana o responsável pelo depósito de resíduos nucleares dos Estados Unidos referiu que, para o projecto previsto para a Montanha de Yuccan, não se consegue ainda afirmar um prazo de conclusão nem um custo final que, no entanto, deverá ser muito elevado.Esta questão é ainda mais premente quando se prevê que as reservas de urânio não durem mais do que algumas décadas, o que implica que as gerações futuras teriam que encontrar outra solução para a produção da sua energia (resolvendo um problema que os governos actuais não tiveram a coragem e empenho para resolver), ficando com o ónus de lidar com os resíduos que nós produzimos por muitos milhares de anos.

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11. Riscos associados ao transporte e armazenamento dos resíduos nucleares
Uma vez que o reprocessamento dos resíduos nucleares, componente que pode ter maior ou menor peso dependendo do tipo de central, não ocorreria em Portugal, o seu transporte poderia acarretar riscos acrescidos para as populações e o ambiente por onde passasse, bem como nos locais onde fosse armazenado.

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12. Tempo de construção previsto
A construção de uma central nuclear em Portugal levaria cerca de 10 a 15 anos até que pudesse estar operacional em termos de fornecimento de energia eléctrica. Por essa altura, Portugal já terá que ter tomado as medidas certas no sentido de acertar o passo com as reduções de emissões de gases com efeito de estufa previstas, sob pena de condenarmos o país à estagnação ou retrocesso económico e social, pelo que esta solução em nada contribui para a resolução do problema.

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13. Custo de desmantelamento das centrais e suas consequências ainda não estão suficientemente avaliados
O custo do processo de desmantelamento é geralmente estimado por baixo em relação à realidade. Estamos porém a falar de valores de muitas dezenas de milhões de euros. No âmbito do processo de desmantelamento, muitos dos elementos de uma central nuclear têm obrigatoriamente que ser tratados como resíduos nucleares, o que implica custos elevadíssimos de desmantelamento. A experiência nesta matéria é também ainda relativamente reduzida a nível mundial e como já se mencionou, em países com uma forte indústria nuclear como os Estados Unidos, o problema ainda está longe de ter resolução.

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14. Secretismo e estímulo ao militarismo
As centrais nucleares tendem a ser encaradas como casos especiais, mesmo em países democráticos, sendo difícil ter acesso a informação concreta sempre que há algum problema. Para além disso, com a produção do plutónio que resulta do processamento dos resíduos decorrentes da produção de energia, estimula-se a produção de mais armas nucleares com fins militares, alimentando a indústria da guerra a nível mundial. Existem vários documentos que comprovam que, por exemplo no Reino Unido, o ataque a centrais nucleares por parte de células terroristas foi considerado. A instalação de uma central em território português iria aumentar o risco de Portugal poder ser vítima de um atentado que poderia ter consequências desastrosas em termos ambientais, sociais e económicos. Os custos com a segurança em qualquer central são avassaladores e tendem a aumentar.

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15. Dificuldade em encontrar uma localização
Considerando as suas necessidades específicas, nomeadamente ao nível da disponibilidade de uma fonte de água abundante e factores de segurança como a necessidade de evitar zonas de maior actividade sísmica, e tendo em conta a exiguidade do território português, a definição e aceitação da localização de uma central nuclear seria uma tarefa muito difícil.

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
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URGENTE: Diga não à energia nuclear

O texto que se segue é um exemplo entre os muitos que poderíamos apresentar. Chega-nos do Brasil e é bem ilucidativo daquilo que aqui em Portugal pode vir a acontecer. É, pois de ler e reflectir...

Olimpio Araujo Junior
Geógrafo-ambientalista;
Director de Comunicação da Rede de Comunicação Ambiental EcoTerra Brasil

oaj@ecoterrabrasil.com.br



Na era do desenvolvimento sustentável e das energias renováveis, vemos uma velha discussão voltar a tona: “a construção de usinas nucleares”, perigosas para o meio ambiente, para saúde e até para nossa própria existência. Porém, ainda possuem defensores que fingem não enxergar o potencial em energias alternativas e renováveis que possuímos e que podemos desenvolver.
Em 1975, ainda sob o regime militar, o Brasil firmou com a Alemanha, país que está desactivando suas usinas, um acordo de cooperação para implantação de oito usinas nucleares, sendo duas em Angra dos Reis e seis no litoral sul de São Paulo. Porém, uma estação ecológica criada no local onde seriam implantados os reactores acabou impedindo a continuidade dos planos em São Paulo.
Trinta anos se passaram, e mesmo depois de todos os acidentes fatais em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil e do fracasso das usinas nucleares de Angra 1 e 2 que já custaram aos brasileiros mais de R$ 54 bilhões, e que geram apenas 2% da energia produzida no país, vamos ter que pagar mais uma conta de R$ 10 bilhões em um investimento de risco não só económico, mas também sócio-ambiental.
Em nenhum outro lugar do planeta se planejam mais construir usinas nucleares. Nas próximas três décadas, mais de 350 reactores serão desactivados, pois até os países desenvolvidos já as consideram caras e perigosas. Porém, no Brasil, em mais uma acção anti-ambiental e autoritária, que já é uma das marcas de nosso actual governo federal, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu pela retomada do projecto nuclear brasileiro através da construção da Usina Nuclear Angra 3, além da construção de um submarino nuclear e do investimento na fábrica de enriquecimento de urânio.
Por este motivo apresento abaixo uma lista com 50 motivos para dizermos não ao Programa Nuclear Brasileiro. (Bem como ao alegado programa nuclear português - esta nota é nossa).
Devemos divulgar estes motivos a toda a população, que tem o dever de lutar pelos seus direitos e de seus descendentes, pois são eles que viverão no planeta que deixaremos. Este planeta pode ser um lugar saudável e com qualidade de vida, com rios, florestas e animais, com ar puro e água limpa, ou pode ser um mundo artificial e degradado, com transgénicos, radiação nuclear, lixo e poluição. Só depende de nossas atitudes presentes.
Continua no site de origem em
Nota: Este e outros artigos de interesse podem ser encontrados na página da EcoTerra Brasil - «um portal ambiental que tem por objectivo difundir, informar, consciencializar, orientar e educar a sociedade através da difusão de acções de responsabilidade sócio-ambiental.»
O EcoTerra Brasil fomenta o desenvolvimento social e económico, aliados à utilização racional dos recursos naturais. O seu maior desafio é o de interferir positivamente no ambiente local, regional e global, contribuindo para uma sociedade justa, democrática e ambientalmente responsável. Os seus pilares são a ética, cidadania, transparência e integridade.
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Nuclear está de volta

Sem que o ciclo dos transgénicos esteja encerrado calhou resolvermos que é tempo de falar no nuclear. Por isso, em paralelo, iniciamos hoje o ciclo do nuclear, um tema actual que volta a estar na ordem do dia, sobretudo quando quem dirige o país afirma que aqui pode estar a solução para todos os nossos males energéticos...

Mais uma mentira e tão grande como a dos transgénicos que vinham acabar a fome no Mundo.

E para que todos saibam da grandeza deste tipo de investimento e de construção, fomos à vizinha Espanha buscar um exemplo, o da Central Nuclear de Almaraz, ali tão perto das Portas de Ródão no concelho Vila Velha de Ródão.

A CO-EXISTÊNCIA ORGÂNICO X TRANSGÉNICO

Alexandre Harkaly – director do IBD

Com a era transgénica, a questão mais crítica para os orgânicos é a co-existência.
A Bélgica acaba de proibir a canola transgénica pela pouca segurança ambiental que ela oferece. No Canadá, não existe mais canola orgânica sem genes transgénicos justamente pelo facto da contaminação polínica.
As brássicas (canola, couves, repolhos, etc.) cruzam por polinização cruzada, a distâncias relativamente grandes.
Importante é entender o seguinte: nunca mais o ser humano irá se alimentar de algo natural e sim de coisas que são produto de manipulação humana, resultado das elucubrações científicas, com incorporação de genes de seres que não estamos adaptados a consumir (certos insectos, bactérias, fungos, etc.).
No Brasil, temos a soja transgénica e logo teremos o milho em grande escala também, além do algodão e outras plantas.
A soja (na foto) se diferencia por ter auto-polinização, o que não nos exime de cuidados necessários. Já existe contaminação acima de 4 % em genes de soja orgânica nos EUA. Isso se deve a duas razões: misturas acidentais de sementes nas semeadoras e estruturas de benefício de sementes e aproximadamente 2 % pela polinização cruzada, que ocorre em menor escala na soja.
O milho se comporta praticamente como a canola, pior pois o milho é planta latino americana! Ou seja, já há contaminação dos materiais básicos de milho nos centros de diversidade de milho, registrados nas montanhas Mexicanas, por exemplo.Isto tudo dificilmente poderá ser corrigido. A co-existência não é somente uma necessidade, é um direito jurídico adquirido.

(Para ler o resto do texto vá a http://www.ibd.com.br/artigos/transgenicos_3.htm)

ARGUMENTOS CIENTÍFICOS CONTRA OS TRANSGÉNICOS

Dr. Geraldo Deffune G. de Oliveira
Eng° Agr° (USP); M.Sc. & Ph.D. (Univ. of London)
geraldo.deffune@uniube.br

O tema da Clonagem e Engenharia Genética é importante tanto por seu valor biológico intrínseco, como pela actual polémica sobre manipulação genética e patenteamento de seres vivos. Os métodos de melhoramento tradicionais usando sementes, reprodutores, matrizes e clones sempre constituíram uma forma de manipulação genética e a transferência natural de material genético por via microbiana é um fenómeno que ocorre desde as formas mais elementares de vida. Todavia, nesses casos os processos são evolutivamente limitados e adaptativamente direccionados pela selecção natural, ao contrário dos métodos imediatistas e critérios selectivos artificiais e comerciais da Engenharia Genética, como será discutido em detalhe a seguir.É muito importante distinguir a transgenia de ocorrência natural, dos transgénicos artificiais ou comerciais. A mutação e a transferência naturais de material genético são parte do processo evolutivo que no contexto da Natureza permitem a interacção simbiótica constante e a selecção natural. Mutações que podem ser induzidas por fenómenos naturais e transferências de material genético entre ou por micróbios e vírus, ocorrem continuamente desde o princípio da evolução biológica. Lynn Margulis qualifica a transgenia de ‘o primeiro sexo do mundo’, pois foi a primeira forma de troca de material genético que ocorreu e ainda ocorre entre as bactérias, que de outra forma se multiplicam por divisões sem intercâmbios. E cada vez que micróbios ou vírus interagem entre si ou com outros organismos (em simbioses ou infecções), ocorre uma troca de genes que alimenta o processo evolutivo (Margulis e Sagan, 2002). Este fato é fundamental para a correcta interpretação do significado das chamadas "pragas e doenças".A Engenharia Genética ou Biologia Molecular se auto-atribuíram e apropriaram do termo Biotecnologia para usar um nome atraente que disfarça sua profunda artificialidade tecnocrática. Os Métodos Orgânicos ou Biológicos constituem Biotecnologias num sentido muito mais amplo, justo e preciso no que se refere à vida e natureza. A indução de mutações e a transgenia artificial são proibidas na Agricultura Orgânica em geral, porque não servem à evolução adaptativa, nem se sujeitam à selecção natural, mas sim obedecem a critérios e objectivos humanos e sobretudo económicos, ligados a patentes e à concentração de poder.Um exemplo clássico é a incorporação artificial de genes para resistência a herbicidas, que leva a uma maior exposição do solo a fautores de erosão, poluição de alimentos e do ambiente, pelo simples objectivo de controlar os mercados de sementes e agroquímicos, explorando o comodismo de empresários agrícolas que só se preocupam em minimizar custos operacionais.

ENGENHARIA GENÉTICA VERSUS AGRICULTURA ORGÂNICA

Estes excertos são partes integrantes de um documento que integra o livreto “Engenharia Genética versus Agricultura Orgânica”, inicialmente publicado pela IFOAM na Europa e editado no Brasil pelo Instituto Biodinâmico e Associação de Agricultura Biodinâmica com o apoio da IFOAM e da Associação Tobias.
O texto tem autoria de Florianne Koechlin (Blueridge-Institute, Suiça) e apoio de David Frost
(Grã-Bretanha), Bernward Geier (IFOAM, Alemanha), Gerald Hermann (Alemanha) e Eric Wyss (FiBL, Suiça). A tradução é de João Carlos Ávila.
Para ler o documento na sua forma original vá à página do Instituto Biodinâmico
www.ibd.com.br/ o único certificador brasileiro reconhecido na Europa, Estados Unidos e Japão.

Quem beneficia? Quem necessita? Para onde leva?
Estas são questões úteis a levantar quando se aborda uma nova tecnologia. No caso de OGM (organismos geneticamente modificados) não existem benefícios nem para consumidores nem para produtores – somente para as empresas que os produzem.
Se os produtores sentem que necessitam de variedades resistentes a herbicidas é porque eles são atraídos a um sistema de produção que depende de insumos químicos.
A engenharia genética é apenas um passo a mais em direcção a um beco sem saída que leva a mais degradação do meio ambiente, a maior dependência dos produtores e a maiores riscos para todos.
O movimento orgânico rejeita os OGM em toda agricultura, a partir de uma perspectiva económica e ética, de uma perspectiva política, de uma perspectiva de risco e simplesmente porque não são necessários.
Nós também oferecemos uma alternativa real. Milhões de produtores orgânicos, grandes ou pequenos, ricos ou pobres, demonstram diariamente que a agricultura orgânica é capaz de produzir alimento suficiente e seguro para todos, sem utilizar OGM.
Gunnar Rundgren - Presidente da IFOAM
A agricultura orgânica e a agricultura biodinâmica são a nossa opção para o futuro

O movimento orgânico brasileiro, seguindo os preceitos da IFOAM, também rejeita a adopção da tecnologia transgénica na agricultura e propõe um olhar mais atento para os resultados da agricultura orgânica e da agricultura biodinâmica que vêm provocando, a nível mundial, uma verdadeira revolução no campo das relações sociais, das relações com o meio ambiente e das relações de consumo.
A opção de consumo é hoje mais importante do que nunca, pois são os consumidores que ditam as regras do mercado. Consumir significa abrir canais de viabilidade e de existência de um bem de consumo. Consumir significa apoiar esta ou aquela tendência, tecnologia, visão.
Precisamos estar mais conscientes de nossas atitudes e saber que, ao consumirmos alimentos transgénicos, estaremos apoiando sua viabilidade económica e, consequentemente, consolidando a dependência de milhares de agricultores, comprometendo a auto-sustentabilidade e a auto-suficiência do sistema agrícola mundial e a saúde da população.
É por isto que a agricultura orgânica e a agricultura biodinâmica são a nossa opção para o futuro!
Alexandre Harkaly - Diretor do IBD
ARROZ COM VITAMINA A - UMA GRANDE ILUSÃO?
Arroz com vitamina A – um arroz modificado geneticamente para produzir pro-vitamina A – está sendo oferecido para o Terceiro Mundo como um remédio para a disseminada Deficiência de Vitamina A (DVA).
Mas ocorrem aí problemas fundamentais: um homem adulto precisaria comer 9 kg de arroz cozido por dia para ingerir a quantidade necessária de vitamina A (ao passo que a ingestão de apenas duas cenouras seria suficiente).
Ainda é uma questão em aberto se o arroz transgénico funcionará na prática, e nada se sabe sobre os riscos a longo prazo para os ecossistemas e a saúde humana.
Além disso, existem muitas patentes de arroz com vitamina A. “O problema é que o arroz transgénico não eliminará a DVA. É uma tecnologia que falha em sua promessa, já que não existem soluções prontas para problemas tão complexos”, segundo a cientista indiana Vandana Shiva.
O ponto PRINCIPAL é, entretanto, que existem muitas soluções melhores, mais baratas e já comprovadas.
A principal causa da DVA e de muitas outras doenças é uma dieta totalmente desequilibrada: arroz, arroz e nada mais que arroz.
Portanto, o essencial é mudar os hábitos dietéticos. Pequenas hortas com folhosas verdes e frutas, folhas de plantas nativas, fatias de manga desidratada, folhas desidratadas de Baobá, batatas-doces...
Até mesmo o Banco Mundial admitiu que a redescoberta e o uso de plantas locais e a conservação de frutas e hortaliças ricas em vitamina A reduziram substancialmente o número de crianças ameaçadas de DVA, de uma maneira barata e eficiente.
CONTAMINAÇÃO GENÉTICA - UM PROBLEMA SÉRIO
É no México e no Peru, de onde o milho é originário, que se pode encontrar a maior diversidade de cultivares de milho e de espécies nativas.
Este “centro de origem”, com sua impressionante diversidade genética, é essencial para o futuro do cultivo do milho e também para a segurança alimentar do mundo. Porém, este “centro de origem” já está contaminado.
Um estudo dos EUA mostra que até mesmo em remotos vales mexicanos as variedades locais de milho contêm genes de milho Bt transgénico. “Ficamos surpresos com esses resultados. Não esperávamos nada disso, e isso muito nos perturba. O que isso significa é que uma espécie inteira em seu estado natural pode logo tornar-se, na verdade, geneticamente contaminada”, diz o cientista Ignacio Chapella, da Universidade da Califórnia (EUA), cuja equipe realizou essa pesquisa.
O estudo mexicano indica que genes de plantas transgénicas podem espalhar-se mais rapidamente por áreas geográficas e entre variedades do que haviam previsto os cientistas.
A seguir, num próximo texto, leia as respostas deste relatório a algumas questões importantes que, afinal, todos fazemos... Apesar de pouco se falar neles, os transgénicos andam aí... e a este como a outros níveis, a informação é uma ferramenta que ajuda à decisão.